0 salazarismo como exemplo para uma renovação de «terceira via» nos Países Baixos, 1933-1946

Authors
Publication date 2022
Host editors
  • A. Costa Pinto
Book title O Estado Novo de Salazar
Book subtitle Uma terceira via autoritária na era do fascismo
ISBN
  • 9789724426143
ISBN (electronic)
  • 9789724426150
Series Lugar da História
Chapter 4
Pages (from-to) 105-123
Publisher Lisboa: Edições 70
Organisations
  • Faculty of Humanities (FGw) - Amsterdam Institute for Humanities Research (AIHR) - Amsterdam School for Regional, Transnational and European Studies (ARTES)
Abstract
Apesar de o autoritarismo ‘para-fascista’ ter sido muito mais comum na Europa durante os anos entre guerras do que o fascismo e o comunismo, mutos historiadores frequentemente parecem negligenciar este tipo de sistema político enquanto rival da democracia parlamentar ao falar sobre a crise da democracia liberal. O autoritarismo era um terceiro concorrente da democracia liberal, juntamente com o comunismo e o fascismo ‘autêntico’, e uma fonte de inspiração para movimentos que se encontravam insatisfeitos com a democracia parlamentar.
Ao analisar o exemplo do entusiamo pelo Salazarismo na Holanda, este capítulo demonstrou que o Estado Novo foi recebido com simpatia por todos os pilares tradicionais da sociedade holandesa nos anos do entre guerras. A Holanda era uma sociedade religiosamente segmentada (‘pilarizada’) e dividida. Muitos católicos progressistas, protestantes, liberais e social-democratas não-marxistas defendiam uma nova ordem socioeconómica e política para fortalecer a unidade nacional. Viam o Estado Novo português, com a sua câmara corporativa e o seu alegado sistema ‘semi-parlamentar’ como o ‘exacto meio termo’ entre o totalitarismo fascista e comunista. Os defensores do corporativismo na Holanda faziam uma nítida distinção entre o estado totalitário italiano e a sociedade corporativa ‘orgânica’ em Portugal.
Ademais, este artigo demonstrou como as narrativas atravessaram regiões e países. As imagens e autoimagens determinaram em primeiro lugar a receção do Salazarismo na Holanda e foram condições mais importantes para o entusiasmo por Salazar e pelo seu Estado Novo do que encontros e experiências pessoais. O entusiasmo pelo corporativismo e pelo Salazarismo baseava-se essencialmente na propaganda projetada pelo Estado Novo, especialmente por António Ferro. Além disso, Portugal, como pequena nação internamente dividida, com um largo império colonial, tal como Holanda, serviu como uma tela para a projeção dos desejos políticos holandeses, tais como a neutralização da luta de classes e, sobretudo, um líder sábio e forte, mas modesto. De longe, a maior parte da atenção voltou-se para a imagem de Salazar como um ‘bom ditador’ que supostamente impediu Portugal de se tornar numa ditadura totalitária e que cuidadosamente evitou qualquer medida que levaria ao estatismo no futuro.
Como resultado deste encontro entre imagens e autoimagens, alguns inovadores holandeses viram uma janela de oportunidade para a criação de uma sociedade corporativa na Holanda depois da invasão alemã da Holanda. Contudo, é improvável que os Nazis alguma vez tenham seriamente contemplado a hipótese de instalar um governo autónomo relativamente autoritário na Holanda. No decurso da ocupação alemã, o corporativismo foi desacreditado. Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, o federalismo europeu deu uma nova vida à sua noção de uma terceira via.
Document type Chapter
Language Portuguese
Permalink to this page
Back